A mulher satisfeita com migalhas

Este é o segundo de 10 capítulos da série Devocional Deslumbradas aos pés de Jesus.

 

Senhor, socorre-me!

Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananeia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã. – Mateus 15:21-28

Talvez, naquele primeiro momento, ele fosse só alguém de quem ela ouvira falar. 

Não sabemos há quantos anos ela mal dormia, mal se relacionava, mal podia alimentar sua filha, acariciá-la ou envolvê-la em seus braços… A mulher, cujo nome sequer conhecemos, parecia já não desfrutar de muitas alegrias nessa vida. Sua filha não estava morta; não estava enferma. Sua filha, simplesmente, não estava… um espírito imundo a possuía (Mc 7.25). Talvez nós não consigamos dimensionar o quão terrível eram os seus dias: vergonha, discriminação e isolamento, lutas, medos e aflições. Pavores infernais cercavam os seus dias.

Então, ela ouviu acerca daquele judeu que havia se achegado às redondezas (Mc 7.25). Sua fama correu em todas as direções (Mc 1.28) e chegou à Síria (Mt 4.24), pois ele já tinha percorrido toda Galileia (Mt 4.23), Judeia e, até, Samaria (Jo 4.1-4), realizando milagres, curando enfermos e, ainda, expelindo demônios (Mt 8.16) – ao ponto de uma multidão de judeus se questionar: “É este, porventura, o Filho de Davi?” (Mt 12.22-23). Deslumbrada com a possibilidade de resolver seu grande problema, a cananeia o buscou até o poder achar. Ao encontrá-lo, conforme o que tinha ouvido acerca dele, desesperadamente ela clamou insistentemente: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim. Minha filha está horrivelmente endemoninhada” (Mt 15.22).

Mas, ao contrário do que se esperava, um silêncio ensurdecedor imperou. Não teria ele escutado o seu clamor? Não teria compreendido a gravidade da sua dor? Os discípulos, talvez mais motivados pelo incômodo que ela causava do que por genuína compaixão, intercederam: “Despede-a…”. Mas Jesus disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”, exortando os homens que o seguiam sem que ainda, de fato, pudessem compreender suas palavras tampouco sua missão (Mc 9.31-32; Lc 18.34). 

Ouvindo que ele era o Prometido de Israel, diferentemente dos religiosos fariseus e saduceus, cujos corações arrogantes não lhes permitia enxergar tampouco honrar o Filho de Davi (Mt 15.1-20), humilde e ousadamente, a cananeia se lançou aos seus pés (Mc 1.25) e, rogou: “Senhor, socorre-me!”. Voltando-se para ela, em parábolas, Jesus lhe disse algo como que “Eu sou o alimento que dá vida, prometido e enviado para redenção de Israel, o povo da aliança. Você, gentílica, descendente dos inimigos de Deus, não tem prioridade no chamado para assentar-se à mesa preparada por Deus aos seus filhos. Você está na imundícia do seu pecado, mas eu vim primariamente para os judeus. Quando os herdeiros se fartarem, e meu ministério terreno for concluído, a barreira da separação será derrubada (Ef 2.12-16) e, pela descendência de Abraão, às demais nações da terra será anunciada a salvação.”

Impactada por suas palavras, ela reconheceu a sua condição impura. E olhando para aquele que lhe falava, creu que nele havia poder suficiente para transbordar para além dos limites de Israel. A cananeia entendeu que, embora não merecesse se assentar à mesa do Salvador, migalhas de misericórdia bastavam para satisfazê-la com vida abundante. Sendo alvo da graça do Senhor, a mulher professou sua fé na suficiência do Salvador, e ele a abençoou (falou-lhe bem) com toda sorte de bênçãos que alcançaram inclusive sua amada filhinha, libertando-a do mal.

Quantas lições podemos ter! Vejamos como esse mal que assolava a vida daquela mulher e de sua filha foi usado como instrumento para impulsioná-la a Cristo. Sim, nossas lutas podem servir de oportunidades para nos aproximar do Salvador, para fazer nos prostrarmos aos seus pés, implorando seu favor. Em segundo lugar, não o busquemos apenas pelas bênçãos que podemos receber, mas por quem ele é. A cananéia saiu em busca de um curandeiro, mas encontrou o Salvador. E ela não se intimidou diante do silêncio de Deus, continuou clamando. Ainda que não ouçamos a sua voz, saibamos que ele está atento ao nosso clamor. Cristo nunca se negou a socorrê-la, pelo contrário, ao exortar seus discípulos (as ovelhas perdidas de Israel), demonstrou que seus milagres não eram sem propósitos, e ele desejava oferecer a ela muito mais do que todos poderiam imaginar. Jesus mudou a história de vida daquela mulher não somente pela libertação de sua filha, mas ao livrá-la da ira vindoura reservada aos seus inimigos. A mulher sírio-fenícia atentou às palavras de salvação, creu no poder e na obra de Cristo e mudou o foco da sua atenção. Agora, olhando para ele e, sem saber que teria seu pedido atendido, focada em Cristo, ela o adorou. E tudo isso só foi possível, porque ele a amou. Sim, Cristo saiu intencionalmente do território judeu, e como Deus, ele sabia o que iria encontrar nos arredores de Tiro e Sidon. 

Amadas, nos vales dessa vida, naqueles dias e lugares que parecem estar muito distantes das bençãos de Deus, em meio às mais variadas lutas e provações, quer pessoais quer familiares, quando nos sentirmos insuficientes frente aos grandes dilemas da vida, lembremo-nos do amor e do cuidado de Deus sobre a vida da cananeia, prossigamos adorando o Senhor como a cananeia, satisfeita com migalhas, deslumbrada aos pés do Salvador.


Fonte: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2024/01/a-mulher-satisfeita-com-migalhas/

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