Suas palavras expressam o caráter de Jesus?

Palavras importam, a maneira como você se comunica é importante. Se você já cuidou de um bebê, com certeza sabe o desafio de entender o que ele quer quando está chorando. Está com fome? Sono? Quer que eu o balance? será cólica? Tentamos de tudo até que o silêncio volte a aparecer, esse é o sinal de que conseguimos compreender a mensagem.

Quando crianças, experimentamos uma amostra da sensação de ter nossa mente lida. Nossos desejos e necessidades são satisfeitos, sem que tenhamos dito nenhuma palavra. Essa atitude é completamente normal, afinal, as crianças ainda não aprenderam outro meio de expressar o que desejam e sentem.

O grande problema é que adultos têm imitado esse comportamento infantil, embora já sejam capazes de dizer de forma clara o que querem.

Criamos expectativas equivocadas sobre as pessoas, supondo que os outros deveriam simplesmente saber (ou se esforçarem para adivinhar) o que queremos, assim como nossos pais faziam. Esperamos que as pessoas se dediquem em nos dar tudo aquilo que desejamos, sem que precisemos verbalizar uma frase sequer.

Buscamos receber atenção de formas nada claras. Quando não gostamos de algo, no lugar de dizer o que nos incomoda, batemos mais forte a porta ou cruzamos os braços energeticamente — e ainda ficamos descontentes quando nossa “mensagem” não é captada.

Nos recusamos a dizer o que está errado, fazemos “beicinho” e esperamos que o outro não só entenda o que está errado como também seja gentil conosco, dando uma resposta positiva e atenciosa à nossa manha.

Todavia, enquanto uma criança tem um número limitado de preocupações e uma lista de necessidades basicamente fisiológicas, um adulto possui inúmeras convicções e valores bem estabelecidos, desde a forma correta de se governar um país até a forma correta de servir o arroz e o feijão.

Por vezes, principalmente como mulheres, nosso coração tende a acreditar que se eu disser o que eu desejo, penso ou preciso, aquilo não terá mais o mesmo valor, pois não será preciso tanto esforço para me conhecer e descobrir meus interesses. Esse é o puro retrato do egoísmo! Esperamos por algo pelo qual não pedimos e nos entristecemos ao receber qualquer coisa divergente.

Não é justo aguardarmos que leiam nossas complexas mentes sem que tenhamos falado nada. Mas isso também não significa que verbalizar nossos desejos nos torne merecedores dos esforços de terceiros em busca do contentamento da nossa volição. Entenda que, falando ou não, ninguém é obrigado a te satisfazer. Ao mesmo tempo, muitas de nossas frustrações seriam poupadas se deixássemos nossas intenções claras e ajustássemos corretamente nossas expectativas.

Outra situação muito comum que se passa ao cuidar de uma criança é presenciar alguma “pérola”. Crianças não tem filtro, falam o que pensam e não possuem um senso de empatia tão amadurecido, muitas vezes dizendo algo que pode constranger. Semelhantemente, adultos também têm repetido esse comportamento, falhando em dialogar com graça. 

A Bíblia está repleta de textos que focam na comunicação verbal. Um assunto mencionado repetidas vezes deve, definitivamente, atrair nossa atenção.

Por que Deus se preocupou tanto com nossas palavras a ponto de deixar registrado numerosos ensinamentos a respeito da fala?

Uma mulher diz, em média, cerca de 20 mil palavras por dia. Em Provérbios, as Escrituras nos advertem a respeito disso:

“O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.” Pv 13.3

“Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio.” Pv 17.28

“No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.” Pv 10.19

Recentemente, comecei a refletir sobre a minha comunicação, em quantidade e qualidade. “Qual volume de palavras tenho proferido? Quais palavras tenho escolhido para construir minhas frases? Que tom de voz eu uso e como ele se altera em ambientes mais barulhentos? Em quais momentos tenho falado? Quanto tempo eu espero para responder e dar minha opinião sobre algo? Qual é minha intenção ao falar?”, são apenas algumas das perguntas que fiz a mim mesma.

O Senhor se preocupa com detalhes, nada sai debaixo de sua mão soberana, inclusive a linguagem. Nota-se, na escrita original da Bíblia, o cuidado de Deus ao escolher o hebraico e o grego para transmitir o seu caráter. Essas línguas são precisas, extensas e cheias de significados profundos. Deus se comunica com excelência, assim como nós deveríamos.

Vemos as próprias palavras ditas pelo Senhor ao caminhar com Adão no jardim e conversar com Moisés pela sarça, temos também relatadas as palavras de Jesus durante seu ministério terreno. Em todos os casos, conseguimos aprender mais sobre a pessoa do Senhor. (Gn 3.9; Ex 3.4-10; Jo 4.26, 8.11 e inúmeros outros textos dos evangelhos)

Note o tom brando, a demora em responder, mesmo em meio a insultos, a escolha por se omitir certas vezes e proferir apenas palavras de sabedoria, o cuidado e a atenção dedicados às pessoas com quem conversava, tudo isso serve de exemplo prático para nós quando o assunto é o logos, a palavra.

Como podemos, então, de forma prática, melhorar nossa comunicação, abandonando os comportamentos infantis e dialogando como adultos que estão crescendo em piedade e semelhança ao Senhor?

Tenha em mente o caráter de Cristo e busque filtros práticos, perguntas de autoavaliação que norteiem a renovação da sua mente, pois, em suma, as palavras são a “carne” do pensamento, são as formas gráficas pelas quais materializamos o que acreditamos e sentimos. Sílabas agrupadas, portanto, comunicam muito mais do que apenas seu significado léxico — revelam nosso coração.

Separei algumas das perguntas e afirmações que me ajudam a refletir sobre a externalização da minha mente em locuções, espero que elas possam ser de grande valia para você também.

  1. Não cobre ou espere de alguém algo que não foi deixado claro. Mantenha suas expectativas bem ajustadas. Pecadores pecam. Se alegre quando vir uma pessoa fazendo algo bom, isso é graça de Deus, mas não fique frustrado se errarem com você, essa é nossa natureza.
  2. Tenha certeza da qualidade da sua comunicação e de como a mensagem foi recebida. Seja preciso no que diz. Diga o que intende de forma clara e específica.
  3. Por fim, lembre-se de Efésios 4.25-32:

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.”

  1. Diga a verdade, seja honesto. Não omita, não faça joguinhos e não finja (v.25).
  2. Trate os assuntos com agilidade, não deixe que algo fique borbulhando em sua mente (v.26).

Para mais fácil memorização, utilize a sigla “NET” (v.29, 30):

Necessário — O que estou pensando em dizer é uma informação relevante? Faz diferença diante do assunto? As pessoas precisam saber disso? 

Edifica – O que eu vou dizer irá ajudar as pessoas envolvidas no assunto a crescerem em semelhança a Cristo? 

Transmite graça – O que eu quero dizer é compatível com o caráter de Deus? Minhas palavras expressarão a essência divina?

Aja, não reaja. Atitudes boas não são naturais, precisamos estar focados e decididos a obedecer para que consigamos praticá-las. Seja intencional em falar com o mesmo espírito de Jesus. (v. 30) 

Que as verdades da Escritura e o conhecimento de Cristo renove as nossas mentes e, consequentemente, redima nossa comunicação.

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