Tudo na vida é uma questão de ser pecado ou não ser pecado?

“Oi Pastor, existe uma questão que tem me incomodado por muito tempo. Tudo na vida ou é uma coisa boa ou é um pecado? Ou existem algumas coisas que não são pecado, mas não são exatamente boas? Existem áreas da vida moralmente neutras?”

Não posso dar uma resposta sim ou não sem antes esclarecer alguns termos. O que é pecado? O que significa moralmente neutro? Este é um bom exemplo de como a simples definição de um termo responde à pergunta. É uma grande lição para aprender. A maioria das discussões que as pessoas estão tendo não acabam porque os termos não são definidos com nenhuma precisão bíblica. E a razão pela qual cito a precisão bíblica é porque se não estabelecermos uma base, ou concordarmos que a Bíblia deve ser a autoridade sob a qual vamos concordar e que vai ter a palavra final, vamos ficar presos rodando em círculos sem sair do lugar.

Nossa cultura agora está presa sem sair do lugar porque não compartilhamos a mesma base de autoridade em nossas disputas. E uma cultura estagnada é uma coisa perigosa, porque se não houver um acordo sobre quem vai ser a base determinante da verdade, o que vem para preencher esse vazio é o poder bruto. Sem uma referência e algum terreno comum capaz de definir o que é certo estamos perdidos. Ou, mais especificamente aqui, se uma autoridade compartilhada, como a Bíblia, não decidir a definição de nossos termos, então aquele com mais poder decidirá a definição das palavras e como serão usadas. E foi assim que coisas terríveis como o Holocausto aconteceram. Foi assim que a escravidão baseada na raça aconteceu. É assim que o aborto acontece. Os poderosos decidem como a palavra “pessoa” vai ser usada e quem se encaixa nela e quem não se encaixa. E sem uma autoridade para arbitrar, os poderosos definem os termos de acordo com sua preferência.

Sempre que aparece uma oportunidade gosto de explicar por que dou tanta importância à definição de termos.

O que é pecado?

 Ela disse na pergunta: “Tudo na vida ou é uma coisa boa ou um é pecado? Existem áreas moralmente neutras?” Essa é a pergunta dela.

Vamos lá: o que é pecado? Há pelo menos duas passagens onde Paulo trata de forma precisa o que é o pecado. Uma delas é Romanos 1–3. Romanos 3.23 diz: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. E eu conecto essa declaração com Romanos 1.23, onde os humanos trocam a glória de Deus pela glória das coisas criadas, incluindo o eu humano, ou seja, a minha glória. Eu sou o meu ídolo favorito, certo? Então, acho que o que Romanos 3.23 significa é que todos os seres humanos pecam porque preferimos dar glória a criatura ao invés de dar glória a Deus.

Trocamos a glória de Deus por algo que preferimos. Nós carecemos da glória de Deus.

Portanto, primeiro – o pecado é a disposição do coração humano de preferir a glória humana, especialmente a glória própria, no lugar de preferir a glória de Deus. E segundo, os pecados (no plural) seriam as atitudes, palavras e ações que decorrem dessa disposição. Essa é a minha definição de pecado, baseada em Romanos 1–3.

A outra passagem que define o ponto central do que é pecado é Romanos 14.21-23, onde Paulo está falando sobre comer carne e beber vinho. E ele diz: “Quem tem dúvidas é condenado se comer, porque o comer não é pela fé. Porque tudo o que não procede da fé é pecado” (Romanos 14.23). Isso é muito abrangente. Paulo está disposto a definir o pecado como tudo o que não vem da fé, o que eu acho que é a mesma definição que lemos em Romanos 1–3.

   “Se a disposição do nosso coração não é receber a Cristo, então o que vem desse coração é pecado.”

Se a disposição de nosso coração não é receber a Cristo como nosso supremo Salvador, guia e tesouro – então o que vem desse coração é pecado. Esse coração é o mesmo que prefere qualquer outra glória ao invés de preferir a glória de Deus.

Agir a partir da fé

Com essa definição de pecado, a definição do que é moralmente bom segue como o outro lado do pecado ou do mal. O bem moral é a disposição do coração de preferir Deus acima de tudo, ou valorizar Deus em Jesus Cristo acima de tudo, de modo que as atitudes, palavras e ações que brotam desse coração sejam boas, moralmente boas.

Existem duas outras formas de descrever o que seria moralmente bom, porque resultam de uma ação de fé ou de uma preferência por atribuir ou reconhecer o valor superior de Deus em Cristo. Uma delas seria dizer que o bem moral são aquelas atitudes, palavras e ações que Deus ordenou (1 João 5.2). A outra é dizer que o bem moral são atitudes, palavras e ações que tem como objetivo glorificar a Deus (1 Coríntios 10.31). Portanto, podemos afirmar que o que é moralmente bom tem todas essas três características:

  1. É fruto ou procede da fé. 
  2. Está de acordo com os mandamentos de Deus.
  3. Tem como objetivo glorificar a Deus.

Esse é o bem moral.

Para Sua Glória

Aqui está a implicação sobre existirem áreas neutras na vida. Se queremos dizer: “Existem ações moralmente neutras?” a resposta é sim. Existem milhares de ações moralmente neutras, como caminhar na rua, beber um copo d’água ou calçar os sapatos.

“Se você faz algo pela fé que não é proibido nas Escrituras, isso tem bondade moral, não importa o que seja.”

Podemos achar que essas ações não têm nenhuma posição moral até que um ser humano as faça. Mas assim que alguém as pratica, por mais simples que sejam, por mais neutras que sejam, elas deixam de ser neutras. Elas se tornam morais porque, Paulo disse, “Tudo o que fizerem, façam tudo” — calcem os sapatos, andem pela rua — “para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). E esse critério nos faz pecar ou não pecar. E poderíamos perguntar: “Fizemos isso pela fé?” Tudo o que não é de fé é pecado. Calcei meus sapatos por uma disposição de fé? Se não calçou pensando assim, Paulo diz, é pecado. Você pode calçar os sapatos com rebeldia.

A nossa preocupação deveria ser a seguinte: se uma ação ou atitude não é proibida ou ordenada na Bíblia, pratico essa ação motivado pela fé e pelo desejo de glorificar a Deus? Neste caso, revestimos esse ato neutro com bondade moral. Se você faz algo pela fé que não é proibido nas Escrituras, isso tem bondade moral, não importa o que seja. E se não, não importa o quão neutro o ato possa parecer, esse ato se torna um pecado porque não é feito confiando em Cristo ou para sua glória.

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