Complementarismo e a paz em ser mulher

Complementarismo é uma palavra estranha. Nunca ouvi meus pais ou meu pastor usando-a enquanto eu crescia. Não me lembro da primeira vez que a ouvi – embora tenha sido provavelmente no início dos anos 2000, como uma jovem casada, sob os ensinamentos de John Piper.

No entanto, muito antes de ouvir essa palavra estranha, eu já havia visto o conceito na prática. Eu vi quando o coração generoso e hospitaleiro do meu pai foi tomado por minha mãe e transportado para um lar acolhedor que funcionava como uma pousada para família, amigos e estranhos. Eu vi quando meu pai tomava a iniciativa de aquecer o carro e estacioná-lo no meio-fio, sempre pulando para abrir a porta para minha mãe – a mulher destemida, que empunhava motosserras e cavalgava jovens cavalos, mas recebia com alegria essa bondade do marido. Eu vi quando minha mãe ajudou meu pai a aceitar o chamado para ser médico, tirando o melhor proveito de uma agenda em constante mudança. Eu vi isso no trabalho árduo do meu pai e na provisão para nós e no trabalho de minha mãe em casa para transformar essa provisão em algo verdadeiramente maravilhoso. E eu vi isso quando meu pai nos guiou em oração e gratidão a Deus por tudo, especialmente pelo Filho de Deus.

Tecida através de toda a Palavra de Deus

No entanto, havia outro lugar onde eu via o complementarismo: as Escrituras. Das páginas iniciais — a gênese de Adão e Eva — até os capítulos finais revelando a ceia das bodas do Cordeiro, este conceito de parte e contraparte; a distinção entre homem e mulher (em hebraico, ish e ishah); o design e ordem de marido e mulher, senhor e senhora, noivo e noiva, estava em toda parte. Da disposição de Sara em obedecer a Abraão à nobre proteção de Rute por parte de Boaz, as histórias das Escrituras nos mostram tanto a beleza da complementaridade quanto as consequências de rejeitar o desígnio de Deus para homens e mulheres – como quando Adão se submeteu a Eva em vez de a Deus no jardim.

Até o próprio Evangelho está entrelaçado com esta realidade fundamental da Criação: o marido é a cabeça e a esposa é a glória – assim como Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo (1 Coríntios 11.3; Efésios 5.22–33). O marido ama sua esposa e a esposa respeita seu marido – assim como Cristo se sacrifica com amor e a Igreja se submete e recebe de bom grado (Efésios 5.22–33; Colossenses 3.18–19). Também observei como as epístolas reiteram as distinções entre homens e mulheres ao dar instruções separadas e específicas para mulheres mais velhas, mulheres mais jovens, homens mais velhos, homens mais jovens, esposas, maridos e viúvas (Tito 2.1–6; 1 Timóteo 2.8–15; 1 Pedro 3.1–7).

No momento em que a estranha palavra complementarismo se tornou parte do meu vocabulário, com sua consequente resistência à ideia de que homens e mulheres são intercambiáveis, eu não precisava ser convencida de que era verdadeiro ou bíblico. Eu tinha visto isso – tanto impresso quanto ao vivo.

Diminuidores de velocidade ao longo do caminho

Claro, ver uma realidade e viver uma realidade são duas experiências diferentes. Pude ver a realidade da complementaridade. Pude ver a beleza da intenção de Deus para homens e mulheres. Mas entrar nessa realidade quando jovem e experimentá-la foi mais difícil. Desde pequena, a palavra igualdade era uma boa palavra. Especialmente como americana, eu tinha orgulho de considerar todos iguais. Eu tinha ouvido falar que igualitarismo era simplesmente isso: igualdade entre homens e mulheres. Quem poderia se opor à igualdade?

Felizmente, a posição do complementarismo foi capaz de explicar tanto as igualdades quanto as desigualdades de homens e mulheres. Aceitar o ensino da Bíblia sobre homens e mulheres é reconhecer uma igualdade de valor ao lado das diferenças físicas e de posição.

Com o tempo, descobri que, em vez de me irritar com essa realidade, havia um grande alívio em afirmar o óbvio. Passei a reconhecer que tratar homens e mulheres da mesma forma era, na verdade, uma afronta a Deus – e, ao mesmo tempo, fiquei livre para reconhecer que a forma como ele concebeu homens e mulheres era realmente boa e bonita. Muitas mulheres são doutrinadas pelo mundo a acreditar que perderemos algo essencial em nós mesmas se admitirmos que somos fisicamente mais fracas ou inerentemente diferentes dos homens. Quando reconhecemos que não escolhemos o que somos, mas fomos criadas para ser o que somos – homem ou mulher – o mundo nos ensina a estremecer e nos rebelar, mas Deus nos ensina a agradecer por seu bom presente. Que dádiva ser mulher! Que dádiva ser dotada de corpo de mulher e ter mente e instintos de mulher!

Dois tutores preciosos

Dois livros foram especialmente úteis para mim quando comecei a realmente praticar a complementaridade que via nas Escrituras, tanto em meu casamento quanto em como me concebia como uma mulher cristã no mundo. O primeiro foi The Quest for Meekness and Quietness of Spirit, de Matthew Henry, e o segundo foi How to Be Free from Bitterness, de Jim Wilson. Nenhum dos dois livros menciona o complementarismo, nenhum deles trata das diferenças entre homens e mulheres e nenhum deles foi escrito especificamente para mulheres. Mas ambos os livros me ajudaram a ganhar um estado de espírito, coração e alma que serviram à minha submissão a Deus e seus caminhos – e como resultado, me ajudaram a florescer.

Os livros me deram uma janela para o funcionamento interno de um coração que realmente confia e obedece a Deus. E acontece que o tipo de coração que confia e obedece a Deus é o mesmo tipo de coração que não se rebela contra os relacionamentos de autoridade e submissão ordenados por Deus. Seja me submetendo aos presbíteros da minha igreja ou às autoridades que fazem nossas leis de trânsito ou ao meu próprio marido enquanto ele nos conduz em uma nova aventura, meu estado de espírito e mente devem estar totalmente confiantes em Deus. Preciso de uma estabilidade de alma nascida da mansidão e de um coração cheio de fé e livre de amargura.

Henry e Wilson atiçaram as chamas da minha felicidade no dia a dia ao me ajudarem a abandonar os pecados de avareza, amargura e luta interior, os substituindo por simples gratidão, paz e alegria em Cristo. Eu os recomendo a você. Minha felicidade na complementaridade estava diretamente ligada à minha própria santificação e à minha vontade de dobrar meus joelhos em submissão ao Rei Jesus, não importando o que o mundo ou qualquer outra pessoa pensasse.

Concordar com a palavra de Deus de que a esposa deve se submeter ao marido (Efésios 5.22), ou que a mulher é a glória do homem e o homem é a glória de Cristo (1 Coríntios 11.3), ou que o próprio Deus ordena quem é homem e quem é mulher – essas posições não lhe renderão elogios ou aplausos em muitos círculos. Mas concordar com Deus – ainda mais, amar o que Deus disse e fez – trará a você paz, esperança e alegria, tanto agora quanto na era por vir. Complementarismo é uma palavra estranha, mas tudo bem. Os cristãos muitas vezes têm sido estranhos ao mundo.

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