O que fazer se quero me batizar mas meu marido é contra?

“Pastor, apesar de minha vida toda me identificar como cristã, a pouco tempo tive uma experiência de conversão verdadeira. Meu marido não é cristão. Jesus Cristo transformou minha vida. E embora meu marido tenha me apoiado até agora, ele não quer que eu seja batizada. Sinto que chegou a hora de ser batizada, mas não quero ir contra meu marido. A Bíblia diz que devo me submeter a meu marido e que a boa conduta da esposa tem efeito positivo sobre o marido descrente. Mas, neste caso, devo ir contra a vontade do meu marido e passar pelo batismo?”

Minha resposta sempre será sim para casos como este. Mas para que esse ato do batismo agrade ao Senhor, precisamos considerar alguns aspectos, então vamos pensar sobre isso.

O ensino do Novo Testamento, seja Efésios 5,  1 Coríntios 11, Colossenses 3 ou 1 Pedro 3, é que os maridos devem ser o cabeça de suas esposas da mesma forma que Cristo é o cabeça da igreja, e que as esposas devem apoiar essa liderança com alegria. O Novo Testamento chama isso de submissão.

Então, vamos definir submissão: submissão é a disposição do coração e da mente de uma esposa, por amor a Cristo, para dar com alegria apoio à liderança de seu marido. E a razão pela qual eu uso esse tipo de definição — ou seja, uma disposição de coração e mente para cumprir alegremente as iniciativas e a liderança do marido por causa do Senhor — é que esses dois aspectos da definição, preste atenção a isso: “a disposição” e “por causa do Senhor”, fornecem limitações a uma possível obediência absoluta ao marido.

Dois Limites à Submissão

A primeira limitação está escondida nas palavras “uma disposição de coração e mente”, porque você pode ter uma disposição para obedecer mesmo que às vezes, por motivos corretos e bíblicos, você não obedeça. Em outras palavras, existe uma diferença grande entre uma esposa biblicamente submissa, que uma vez ou outra encontra razões bíblicas para não cumprir algo que seu marido espera, e uma esposa sempre desafiadora, ou uma esposa que o tempo todo resiste à ideia de que seu marido tem a responsabilidade dada por Deus de exercer iniciativa e autoridade neste relacionamento. Há uma grande diferença.

“Ela está, antes de tudo, sob o senhorio de Cristo. Isso é o que significa ser cristão”.

A outra limitação que minha definição impõe à obediência absoluta ao marido é quando diz que seu apoio alegre à liderança do marido é “por amor do Senhor”. Isso é muito significativo. O que quero dizer com isso é que ela está, antes de mais nada, sob o domínio de Cristo, como mulher cristã. Isso é o que significa ser cristão. E então, como consequência da submissão a Cristo, ela se coloca debaixo da liderança de seu marido.

Então Paulo diz em Colossenses 3:18: “Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como convém ao Senhor“. E Efésios 5.22 diz: “Mulheres, submetam-se a seus próprios maridos, como ao Senhor”. Essas declarações que conectam a submissão dentro de um casamento ao Senhor Jesus Cristo implicam que a submissão ao marido está fluindo de uma realidade anterior que é mais elevada e mais importante  – ou seja, estar no Senhor ou ter Jesus Cristo como seu Senhor supremo.

Pedro torna essa conexão clara quando começa a falar sobre submissão – ao estado, aos mestres e aos maridos – em 1 Pedro 2.13. Ele diz: “Por amor do Senhor, sujeitem-se a toda instituição humana”. Isso é muito importante. Toda e qualquer obediência ao outro ser humano está subordinada à obediência a Jesus Cristo, o Senhor absoluto. Fazemos as coisas por causa dele, em submissão a ele, sob o senhorio absoluto dele.

A obediência a Jesus Cristo conduz nossos relacionamentos à uma disposição de servir e reconhecer a autoridade concedida por Deus. Mas essa mesma obediência a Jesus Cristo limita nossa obediência em outras esferas porque Jesus Cristo não nos incentiva a ser obedientemente rebeldes contra ele. As palavras de Pedro em Atos 5.29 orientam todos os relacionamentos cristãos: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

Obediência e oportunidade

Então agora, vamos tratar da decisão desta esposa de ser batizada enquanto seu marido desaprova. Aqui estão várias implicações que eu gostaria de destacar.

Comando de Cristo

Primeiro, quando se trata do comando de Jesus Cristo frente ao comando de um marido, o comando de Cristo sempre terá autoridade superior sobre o comando do marido. Isso é o que significa ter Jesus Cristo como seu Senhor. O batismo é uma ordem do Senhor Jesus Cristo. Em Mateus 28:19–20, ao se referir a Grande Comissão Jesus deixou claro que fazer discípulos de todas as nações incluía batizar esses novos discípulos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

  

  “A obediência a Jesus limita nossa obediência porque Jesus não nos envia para ser obedientemente desobedientes a ele.”

O batismo nunca foi opcional no ministério dos apóstolos. Não há evidência ou registro de nenhum cristão na igreja primitiva que não tenha sido batizado. O senso comum aponta, e o relato dos apóstolos em todas as epístolas garantem que os cristãos eram batizados. Pertence à fé como uma expressão externa de nossa morte com Cristo e nossa ressurreição nele para novidade de vida. Essa é a primeira coisa.

Sua Disposição

Em segundo lugar, escolher ser batizada contra a vontade do marido não significa que a esposa abandonou sua disposição de apoiar com alegria a liderança do marido. A atitude de honrar a Deus neste caso, pode acontecer sem ser uma expressão de desafio ou de raiva, pode acontecer com respeito e afeto, e deve ser acompanhada por um desejo de que o marido perceba na atitude dela uma esposa leal, que em outras questões, continua a responder às suas iniciativas e liderança com respeito. Mas neste ponto particular, sua lealdade maior é para com Jesus Cristo e seu chamado para ser batizada.

Sua abordagem

Em terceiro lugar, gostaria de enfatizar que ela não precisa ser precipitada em seu agir, mas, pelo bem de seu marido, pela paz e esperança que tem de que suas ações sejam benção em todos os aspectos, ela pode ir devagar. Buscando em oração a melhor forma de ajudar seu marido a entender sua posição.  Ela não deve dar a impressão de que está agindo de forma precipitada, mas que sua ação deve ser cuidadosa, pensada e que ela ama o marido e quer incluir seu marido no processo.

Sua Oportunidade

E, finalmente, como forma de encorajamento, mesmo que este seja um ponto de tensão entre ela e o marido, pode acontecer que pelas conversas que eles têm sobre o significado do batismo e o porquê de estar fazendo isso, essa seria uma grande oportunidade para que ficasse claro o significado do cristianismo. E ainda: O que significa ser uma esposa cristã?

Pode ser que parte da resistência do marido ao batismo se deva a uma compreensão muito superficial do que é e do que realmente significa ser cristão. E a decisão da esposa pode ser uma grande oportunidade de explicar a profunda realidade da morte espiritual com Cristo e da nova vida no Espírito e todas as implicações do que é ser perdoado, aceito, amado e restaurado pelo Espírito Santo de Deus, e a esperança da vida eterna.

Poucas coisas fornecerão uma oportunidade tão clara para uma esposa explicar a um marido incrédulo o que significa para ela ser cristã quanto explicar o que a grandeza do batismo cristão realmente representa. Então, vamos orar para que Deus dê grande graça e sabedoria a todas as esposas e maridos nesta mesma situação, para que um dia seu marido ou no caso dos homens, sua esposa se junte a você na vida que o batismo realmente representa. Uma nova vida em Jesus Cristo.

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