A soberania do Senhor todo-poderoso!

Creio em Deus Pai Todo-poderoso

 

Lutero (1483-1546), comentando o Cântico de Maria (Magnificat) (1521), escreve sobre a soberania divina:

 

“Creio em Deus-Pai, Todo-poderoso”. Ele é todo-poderoso, de modo que em todos e através de todos e sobre todos reina exclusivamente seu poder. (…) Este é um artigo muito elevado e que encerra muita coisa; ele põe por terra toda arrogância e petulância, todo orgulho, glória, falsa confiança e enaltece somente a Deus; sim, ele indica a razão por que se deve enaltecer somente a Deus.[1]

Uma das doutrinas que permeiam toda Escritura Sagrada é a Soberania de Deus. “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso….”, esta tem sido a declaração formal feita pelos cristãos desde o século II, por meio do Credo Apostólico. A Igreja, amparada nas Escrituras, tem afirmado a sua fé no Deus “Todo-Poderoso”, Senhor de todas as coisas e, que ao mesmo tempo, é o nosso Pai Bondoso.[2]

Um dos aspectos fundamentais relacionados à essência do poder de Deus, é sua autonomia.[3] Somente em Deus há a autonomia total e absoluta. Somente Ele é um fim em si mesmo sem acréscimo ou diminuição do que é. Não há nada maior do que Deus e a sua glória.

Todo poder procede de Deus

E mais: todo o poder procede de Deus, que é a sua fonte inesgotável. Não há poder fora de Deus, estando à sua concessão e preservação.

Spurgeon (1834-1892) enfatiza corretamente: “Deus é independente de tudo e de todos. Ele age de acordo com sua própria vontade. Quando Ele diz: ‘Eu farei’, o que quer que diga será feito. Deus é soberano, e sua vontade, não a vontade do homem, será feita”.[4]

Poder soberanamente livre

O poder de Deus é soberanamente livre. Deus é soberano em si mesmo. A onipotência faz parte da sua natureza essencial; Ele é essencialmente poder. Ele não tem primariamente compromissos com terceiros. Em outras palavras: Deus é soberano em si e por si mesmo. Por isso mesmo, para Ele não há impossíveis. Apesar de qualquer oposição que possa pretender lhe ser hostil – diga-se de passagem, sob sua concessão −, Ele executa o seu plano.[5]

Tudo o que Ele deseja, pode realizar (Mt 19.26; Jó 23.13[6]).[7] No entanto, Deus não precisa exercitar o seu poder para ser o que é. Não há em Deus um vácuo entre ato e potência. Ele pode fazer tudo o que desejar. Porém, Ele não deseja tudo o que poderia fazer se assim o determinasse.

Poder consistentemente harmonioso

A sua ação é determinada por seus sábios e voluntários decretos os quais, por sua vez, não estão sujeitos a conselhos ou pressões externas ou compulsões interna. Os seus decretos, além de eternos – portanto, antes da criação –, são consistentes consigo mesmo e uma expressão deliberativa de sua natureza.

Deus realiza o que realiza porque, além de plenos poderes para fazê-lo, Ele age conforme a sua santa vontade. A sua Palavra é íntegra. Ele é fiel. Deus cumpre completamente as suas promessas. Em Deus não há contradição, fraqueza ou impossibilidade.

Ontologicamente Deus não precisa de nada fora de si mesmo. Ele se basta a si. Deus é. Ele é, conforme vimos, “independente e verdadeiramente autopoderoso”, sintetiza Turretini (1623-1687).[8] A criação nada lhe acrescenta ou diminui. Nenhuma alteração ocorre no seu ser[9] que diminua ou aperfeiçoe a sua essência.

Deus se apresenta nas Escrituras como de fato é, o Deus Todo-Poderoso (Onipotente), com capacidade para fazer todas as coisas conforme a sua vontade (Sl 115.3; 135.6; Is 46.10; Dn 4.35; Ef 1.11).[10]

Ele pode fazer tudo o que quer ou venha a querer, da forma, no tempo e com o propósito que determinar.[11]

           Deus também se mostra coerente com as demais perfeições inerentes a Ele, ou seja: Deus exercita o seu poder em harmonia com todas as perfeições de sua natureza (2Tm 2.13).[12]

A sua vontade é ética e santamente determinada. O poder de Deus se harmoniza perfeitamente com a sua vontade.[13] Em outras palavras: “A vontade de Deus é uma com seu ser, sua sabedoria, bondade e todas as suas outras perfeições”, sumaria Bavinck.[14]

Se agencia por meio das causas externas

Contudo, por graça, Ele se agencia também por intermédio das causas externas para concretizar o seu propósito. Por exemplo: Deus poderia, se quisesse e tivesse estabelecido, salvar a todos os homens independentemente da Palavra (Bíblia) e da fé em Cristo, entretanto, ele assim não faz. Esta não é a sua forma ordinária de agir porque sábia e livremente estabeleceu o critério de salvação, que é pela graça, sempre pela graça, que opera mediante a fé por meio da Palavra (Rm 10.17; Ef 2.8).[15] Deus sempre age de forma compatível com a sua perfeita justiça.[16]

Bavinck (1854-1921), mais uma vez é-nos útil aqui ao escrever: “Sua vontade é idêntica ao seu ser, e a teoria do poder absoluto, que separa o poder de Deus de suas outras perfeições, é somente uma abstração vazia e impermissível”.[17]

Poder absoluto e poder ordenado

A soberania de Deus se manifesta no fato dele poder fazer tudo o que faz (poder ordenado) e mesmo aquilo que não realiza, visto que não determinou fazê-lo (poder absoluto). O poder absoluto de Deus envolve o seu poder ordenado.[18] E o poder ordenado delimita o poder absoluto pela própria decisão restritiva de Deus: quando Deus decide fazer o que faz, delimitou a sua ação de forma que não mais pode fazer o que não determinou fazer e, na realidade, não pretende fazer diferente. O poder de Deus é sempre condizente com a totalidade de seus atributos.

O poder absoluto de Deus não é incoerente com a sua essência. A vontade de Deus é santa. Não há propósitos e atitudes contraditórios em Deus. O soberano poder de Deus somente é limitado pelo absurdo ou pelo autocontraditório e por ações imorais.[19] “Deus é o padrão para a moralidade humana, assim Ele não pode ser menos que perfeito em sua santidade, bondade, e retidão”, conclui Frame.[20]

Deus exerce o seu poder no cumprimento do que decretou e nas obras da providência. Aliás, as obras da providência consistem na execução temporal dos decretos eternos de Deus.[21]

O poder realizado não serve de limites

Contudo, o que Deus realiza não serve de limites para o seu poder: “Destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”, adverte João Batista aos arrogantes descendentes da carne, mas, não da fé de Abraão (Mt 3.9).

Na criação e preservação temos uma magnífica amostragem da majestade de Deus e de seu poder, não, contudo, a totalidade. O poder absoluto de Deus transcende infinitamente o seu poder revelado. O seu poder é maior do que tudo o que criou. Todavia, o seu poder sempre será, em ato e potência, consoante com as suas eternas perfeições.[22]

Portanto, quando oramos a Deus, não temos dúvida quanto ao seu poder para nos atender em nossas súplicas. Ele pode. Não sabemos apenas se isso faz parte do seu propósito santo, sábio e eterno. Por isso, o que fazemos é suplicar a Deus que confirme com poder e graça o seu propósito, e nos dê fé para aceitar a sua direção ainda que não entendamos adequadamente a sua vontade.

           Deus é o Senhor Todo-Poderoso. O seu poder não é derivado, antes autoexistente e autopreservado. O salmista nos diz: “Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19).

Deixar Deus ser Deus

Uma das grandes dificuldades dos homens em todos os tempos é deixar Deus ser Deus;[23] recebê-lo tal qual Ele se revela, não cedendo à tentação de construí-lo dentro de nossos pressupostos culturais ou mesmo do nosso gosto pessoal.[24] Estamos dispostos a fabricar nossos deuses para que eles possam cobrir e preencher as brechas de nossa pretensa compreensão em busca de uma arrogante autonomia.

Assim, quando consigo dominar a realidade, já não preciso de Deus; quando não, invoco este deus criado por mim para justificar as minhas crenças, expectativas e, ao mesmo tempo, a minha falta de fé. Dentro desta perspectiva, onde há ciência não precisamos de Deus;[25] onde reina a ignorância há um espaço para um ser transcendente, destituído de sua glória, é verdade, mas, assim mesmo um “ser superior”. Aqui há o esquecimento proposital, de que o ateísmo é também uma questão de fé.[26] Posso crer que Deus existe, como também, crer que ele não existe. Em ambos os casos, a fé é essencial.

Tentativa de nivelar Deus aos nossos pecados

No Antigo Testamento os judeus insensíveis aos seus próprios pecados, tomaram o aparente silêncio de Deus como uma aprovação a seus erros, projetando nele o seu comportamento. Nivelaram Deus a si mesmos e, deste modo, criam terem encontrado um álibi teológico para suas transgressões.[27] No entanto, Deus, no momento próprio, exporia diante deles os seus delitos: “Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.21).

Calvino diz que o homem pretende usurpar o lugar de Deus: “Cada um faz de si mesmo um deus e virtualmente se adora, quando atribui a seu próprio poder o que Deus declara pertencer-lhe exclusivamente”.[28]

De fato, os homens estão dispostos a reconhecer espontaneamente diversas virtudes em Deus: o seu amor, sua graça, bondade, perdão, tolerância, provisão, etc. Agora, a sua soberania, jamais.[29]

Rejeitar o Evangelho é rejeitar a Deus

A rejeição ao Evangelho é, na realidade, uma rebeldia contra o domínio soberano de Deus. A negação da soberania de Deus é uma atitude que pode pavimentar o caminho para o ateísmo. Pink (1886-1952) entende que “negar a soberania de Deus é entrar em um caminho que, seguindo até à sua conclusão lógica, leva a manifesto ateísmo”.[30]

Como a autonomia faz parte de nosso ideário romântico e pecaminoso, a nossa dificuldade óbvia está em reconhecer a Deus como o Senhor que reina.[31] Esta é uma “concorrência” que não aceitamos com naturalidade e, na realidade, nos rebelamos contra ela. A nossa autonomia presumida é bastante ciosa de seus supostos poderes. Tendemos a ser bastante iluministas em nosso otimismo diante do que vemos no espelho.

A Palavra, por sua vez, nos desafia a aprender com ela a respeito de Deus e de seu Reino. O nosso Deus, entre tantas perfeições, é o Deus soberano, Sem este atributo, Deus não seria Deus: “Verdadeiramente reconhecer a soberania de Deus é, portanto, contemplar o próprio Deus soberano”, declara Pink.[32]

No entanto, Jó demonstra a dificuldade de nossa compreensão, ao indagar: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos! Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?” (Jó 26.14).

Mas, o fato que faz parte amplamente da experiência cristã, é que somente aquele que confia intensamente na soberania de Deus poderá encontrar a paz em meio às vicissitudes da vida.[33]

 

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[1] Martinho Lutero, Magnificat: In: Obras Selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre: Sinodal; Concórdia, 1996, v. 6, p. 50-51.

[2] Veja-se: Hermisten M.P. Costa, Eu Creio: no Pai, no Filho e no Espírito Santo, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2014.

[3] Sobre a soberania de Deus, veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Soberania de Deus e a responsabilidade humana, Goiânia, GO.: Editora Cruz, 2016.

[4]C.H. Spurgeon, Sermões Sobre a Salvação, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 42-43.

[5] Ver: Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 479-512.

[6]“Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.26). “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará” (Jó 23.13).

[7] Stott (1921-2011) coloca nestes termos: “A liberdade de Deus é perfeita, no sentido de que Ele é livre para fazer absolutamente qualquer coisa que Ele queira” (John Stott, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, São Paulo: ABU Editora, 1997, p. 58).

[8]François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 334. Do mesmo modo, veja-se também a p. 547. Veja-se o instrutivo e edificante capítulo de MacArthur: John F. MacArthur, Jr., Deus: face a face com Sua Majestade, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2013, p. 91-107.

[9]Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 550.

[10]“No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). “Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos” (Sl 135.6). “… O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.10). “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35). “Nele (Jesus Cristo), digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

[11]Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 326-327.

[12]“Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2.13).

[13] “Deus tem poder para fazer tudo quanto Ele queira; e com certeza a pessoa que tenta separar o poder de Deus de Sua vontade, ou retratá-lo como incapaz de fazer o que Ele queira, o que o tal faz é simplesmente tentar rasgá-lo em pedaços” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 3, (Sl 78.18), p. 212). (Veja-se também: João Calvino, As Institutas, Campinas, SP.; São Paulo: Luz para o Caminho; Casa Editora Presbiteriana, 1985-1989, III.23.2). “Quanto a nós, basta-nos lembrar apenas duas coisas importantes: de um lado, o direito de Deus é supremo e absoluto, e acima do qual não podemos pensar nem falar, e Ele pode fazer com o que é seu tudo quanto lhe apraz; de outro, Ele é sempre santo e agradável à natureza perfeitíssima de Deus, de modo que em seu uso Ele nada faz em oposição à sua sabedoria, bondade e santidade” (François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 336). Do mesmo modo, veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 247.

[14]Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 247.

[15]“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

[16]Veja-se: João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 36.5), p. 128.

[17]Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 254.

[18]Vejam-se: Stephen Charnock, The Existence and Attributes of God, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Two Volumes in one), 1996 (Reprinted), v. 2, p. 12; Herman Bavinck, Dogmática Reformada:  Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 252ss.; Agostinho, A Cidade de Deus contra os pagãos, 2. ed. Petrópolis, RJ.;  São Paulo: Vozes;  Federação Agostiniana Brasileira, 1990, v. 1, 5.10, p. 204-205; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 335-336.

[19]Vejam-se: William G.T. Shedd, Dogmatic Theology, Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, [s.d.], (Reprinted), v. 1, p. 359-360; L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 83; J.I. Packer, Teologia Concisa, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 34; Augustus H. Strong, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos Editora, 2003, v. 1, p. 428; Agostinho, A Cidade de Deus, 2. ed. Petrópolis, RJ.; São Paulo: Editora Vozes; Federação Agostiniana Brasileira, 1990, v. 1, V.10. p. 204-205; John M. Frame, The Doctrine of God, Phillipsburg, NJ.: P & R Publishing, 2002, p. 518-521; Wayne Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 160; Richard A. Muller, Dictionary of Latin and Greek Theological Terms, 4. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1993, p. 231; Heber Carlos de Campos, O Ser de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 386-389; Alister E. McGrath, Teologia, sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã, São Paulo: Shedd Publicações, 2005, p. 332-336; C.S. Lewis, O Problema do Sofrimento, 2. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1986, p. 19-26; Herman Bavinck, Dogmática Reformada:  Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 252-256; Charles Hodge, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos Editora, 2001, p. 307ss.; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 326ss.

[20]John M. Frame, The Doctrine of God, p. 519.

[21]No Catecismo Maior de Westminster (1647) temos a pergunta 14: “Como executa Deus os seus decretos?”. Responde: “Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência, segundo a sua presciência infalível e o livre e imutável conselho da Sua vontade”. Veja-se também: Agostinho, A Trindade, São Paulo: Paulus, 1994, III.4.9.

[22]Vejam-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 256; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 329ss.

[23]“Dizer que Deus é soberano é declarar que Deus é Deus” (A.W. Pink, Deus é Soberano, Atibaia, SP.: Editora Fiel, 1977, p. 19).

[24]Veja-se: Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 32-35.

[25]Este otimismo secular foi sustentado primariamente por Nietzsche. Veja-se: Alister E. McGrath, Teologia, sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã, São Paulo: Shedd Publicações, 2005, p. 331.

[26]“O ateísmo é uma questão de fé tanto quanto o cristianismo” (Alister McGrath, O Deus Desconhecido: Em Busca da Realização Espiritual, São Paulo: Loyola, 2001, p. 23). “Portanto, os homens que rejeitam ou ignoram a Deus o fazem não porque a ciência ou a razão requeira que o façam, mas pura e simplesmente porque querem fazê-lo” (Henry H. Morris, The Bible has the Answer, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1971, p. 16. Apud D. James Kennedy, Por Que Creio, Rio de Janeiro: JUERP., 1977, p. 33). “Não vejo como é possível não acreditar em Deus e considerar que não se pode comprovar Sua existência, e depois a acreditar firmemente na inexistência de Deus, pensando poder prová-Lo” (Umberto Eco, In: Umberto Eco; Carlo Maria Martini, Em que creem os que não creem? Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 85). “Pode-se negar que a existência de Deus seja demonstrável. Não se pode demonstrar que Deus não existe” (Jean-Yves Lacoste, Ateísmo: In: Jean-Yves Lacoste, dir. Dicionário Crítico de Teologia, São Paulo: Paulinas; Loyola, 2004, p. 204). “A ideia de que a ciência ‘refuta’ a existência de Deus é o tipo de declaração simplista que se destaca de forma proeminente no recente ateísmo populista” (Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 76).

[27] “Em todos os lugares os ministros piedosos tem tido a experiência do mesmo tipo de conflitos; pois os homens sempre formam sua avaliação sobre Deus com base em si mesmos, e creem que Ele se satisfaz com exibição externa, porém não podem, sem a maior dificuldade, ser levados a oferecer-lhe a integridade de seu coração” (John Calvin, Commentary on the Book of the Prophet Isaiah, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin’s Commentaries), 1996 (Reprinted), v. VII/1, (Is 1.11), p. 56).

[28]João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 100.1-3), p. 549. Veja-se também: João Calvino, Instrução na Fé, Goiânia, GO: Logos Editora, 2003, Caps. 1-3, p. 11-14.

[29] Kennedy diz precisamente isso: “O motivo por que tantas pessoas se opõem a essa doutrina (predestinação) é que elas querem um Deus que seja qualquer coisa, menos Deus. Talvez permitam-lhe ser algum psiquiatra cósmico, um pastor prestativo, um líder, um mestre, qualquer coisa, talvez… contanto que Ele não seja Deus. E isso por uma razão muito simples… elas mesmas querem ser Deus. Essa sempre foi a essência do pecado – o fato que o homem pretende ser Deus” (James Kennedy, Verdades que Transformam, São Paulo: Editora Fiel, 1981, p. 31).

[30]A.W. Pink, Deus é Soberano, Atibaia, SP.: Editora Fiel, 1977, p. 21. Em outro lugar: “Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem ‘deuses’ de madeira e de pedra, enquanto os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus” (A.W. Pink, Os Atributos de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 28). “Defender a crença num ‘poder do alto’ nebuloso é balançar entre o ateísmo e um cristianismo total com suas exigências pessoais” (R.C. Sproul, Razão para crer, São Paulo: Mundo Cristão, 1986, p. 48).

[31]Ver o sermão de Spurgeon sobre Mt 28.15 citado por Pink. A.W. Pink, Os atributos de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 32-33.

[32]A.W. Pink, Deus é Soberano, Atibaia, SP.: Editora Fiel, 1977, p. 138.

[33] Veja-se: John MacArthur Jr., Abaixo a ansiedade, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 30.

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